sexta-feira, 19 de abril de 2013

19 de Abril - dia do Indio

Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos,
e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.
Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões
nas quais todos interrompem a todos,
e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste,
mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.

"Nem lobos, nem cães. Nas esquecidas estradas com um ancião índio."

Kent Nerburn

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Filhos do Céu e da Terra, Povo das Estrelas

Filhos do Céu e da Terra, Povo das Estrelas, é para mim uma grande honra me expressar, pela primeira vez neste canal.
Na época em que eu estava encarnada, meu nome era Pluma Branca [White Feather].
Agora, do outro lado do véu, meu nome é Snow.
Recebam a Paz do Espírito e minha gratidão por seu acolhimento.
Eu sou um dos doze suportes de Maria.
Is-Is, Sekhmet, Sehet, Myriam, Patchamama, qualquer que seja o nome que vocês lhes dêem, ela é nossa Mãe de todos.
Eu a acompanho com minhas Virtudes.
Por favor, abandonem-se um instante ao que evoca para vocês a nevada, neve, porque de acordo com a maneira como é vista, a neve pode ser, para vocês, frio, morte, ausência de vida ou, ao contrário, plenitude, cor imaculada.
Cada uma das irmãs de Maria que vem a vocês é portadora de uma especificação, Vibratória e de Presença, de Maria.
Snow é pureza e profundez.
Eu não vou aborrecê-los com o que eu fui, mas simplesmente dizer-lhes que eu nasci em outra cultura, em meio a uma outra visão sobre a vida onde toda vida provinha do Grande Espírito, onde toda vida tinha uma filiação, uma origem religada ao Grande Espírito.
Enquanto que irmã de Maria, eu apresento pureza e profundez.
Eu apresento então, para vocês, uma Vibração, uma Consciência, em estado de ser.
Em meio a esse estado de ser, vocês poderão atingir e viver a Profundez, a Pureza, a imensidão.
Ainda não é o momento de lhes revelar nossos papéis em meio à Presença Mariana.
É momento para mim de ajudá-los a reforçar sua pureza e sua profundez, ou como diria Um Amigo, sua própria Presença, porque estando presentes em si mesmos, imergindo no seio do Grande Espírito, no seio da Mãe Terra, vocês podem se mesclar à Pureza, à Profundez, e viver a Paz e uma densidade diferente daquela conhecida em meio à matéria.

***
O que acontece em meio à matéria da Terra, é um parto.
Como todo parto, este parto se traduz em grandes alegrias, em dores e sofrimento inerentes à condição da matéria, mas um parto é a promessa também de uma nova vida, de um novo impulso.
Essa nova vida, esse novo ímpeto, assume particular importância, porque não se trata de um parto comum, mas de um parto que irá permitir o retorno ao Grande Espírito.
Isso é, no seio do meu povo e de meus povos os mais antigos (presentes na Terra desde as épocas da farsa, da falsificação), o momento do retorno ao Grande Espírito.
Cultive sua Paz, aquela que se pode encontrar estando-se desatrelado das emoções imediatas associadas aos sentidos, lembrando-se, por exemplo, da neve vivenciada na imensidão da montanha, livre de qualquer mácula onde o relevo desaparece em benefício da profundeza, onde o frio não pode mais existir pela claridade, pela pureza do ar e do sol.
É nessa Paz, nessa ausência de movimento aparente, nessa ausência de calor e de frio, que pode se manifestar a Profundez e a Pureza.

***
Vocês são chamados a viver algo de novo, mas esse novo não é totalmente desconhecido, simplesmente foi esquecido na trama desse tempo.
De fato, esse parto é os reencontros, como havia dito o Grande Espírito Solar Miguel, como ele os denominou, as Núpcias Celestes.
Esses reencontros com seu novo nascimento devem lhes dar alegria, esperança, certeza, também, pois, contrariamente a outras vezes, a Luz se estabelecerá de maneira definitiva.
Assim como na neve, quando o sol está em zênite, as sombras não mais existem, hoje, as sombras desaparecem.
O brilho da Luz e sua brancura se revelam a alguns dentre vocês, nas ações habituais, de maneira fulgurante, sob formas visuais, sonoras, sob forma de Vibrações.
O parto está em curso.
Toda nossa ronda criativa, nossa, as treze estrelas, se aproxima inexoravelmente de seu Plano material, desta densidade em que a sombra tentou meter a mão e manter em meio à ilusão.
A Pureza, o Brilho, a Brancura vêm acabar, transcender e apagar o que o deve ser,
Tanto para vocês como para os outros.
Avancem, avancem na confiança e na esperança do que vem.
Não se atrasem com o que morre, porque o que morre é o que é sombra, o que morre é a oposição, a resistência.
O que nasce é a facilidade, é a Unidade, é o Grande Espírito.

***
Entreguem-se, transfiram seus sofrimentos à Mãe Terra, a sua natureza, às suas árvores, intermediários milagrosos entre o Céu e a Terra, capazes, hoje mais ainda do que em minha época, de ligá-los ao Grande Espírito e à Unidade.
A visão sombria poderia lhes fazer dizer que a Mãe Terra morre, a visão sombria gostaria lhes fazer dizer que a Terra está poluída, que a Terra está destruída, mas a visão insuflada pelo Grande Espírito diz que a Terra nasce e dá à luz dela mesma em meio às Dimensões mais elevadas onde a sombra não mais existe.
A Terra porta e suporta toda Vida Unitária e Dual, ela não faz diferença.
Ela nutre todos seus filhos, sem exceção, mesmo se talvez o homem, por seu prazer de dominar, tenha provocado, em meio à grandiosidade da Terra, zonas de deterioração.
A Terra não é responsável disso.
Uma nova Terra aparece, neste momento mesmo.
Nessa nova Terra, uma nova natureza, novos espaços, novas formas de vida, novas Vibrações de vida.
Alguns de vocês percorrerão os caminhos da Nova Terra, em meio à sua Nova Dimensão.
Outros, muito numerosos, irão se reunir aos seus Céus de origem.
No meu Povo, durante minha vida, o parto de uma mulher era um grande dia, o dia em que, na tradição original de meu Povo e de minha cultura, mesmo os guerreiros deviam parar a guerra para honrar essa nova Vida, qualquer que fosse seu porvir.
Hoje, a humanidade, em sua totalidade, deverá também parar para honrar a Nova Vida da Terra.
Este processo de paragem é o que lhes será anunciado pela sua Mãe Maria.
Vocês mesmos irão então se entusiasmar, ou não, para acolher este nascimento, porque são vocês que também nascem em outro nível, em Outra Dimensão, onde a forma não está mais aprisionada, onde a Pureza e a Profundez são essenciais.

***
No silêncio da imensidão o som da Criação irá ressoar em sua cabeça e em seu coração.
Naquele momento, vocês irão saber que o Grande Espírito está muito perto.
O som, esse som que anuncia o retorno da Luz, que muitas almas já o vivenciam, essa Vibração especial, esse som que assinala a reconexão, o Grande Espírito Solar Miguel lhes entreteve longamente.
Da mesma maneira que uma mulher diz que chegou o momento de dar à luz, da mesma maneira a Terra o diz, da mesma maneira que, vocês, Filhos do Céu e da Terra, o sabem mais ou menos conscientemente, mais ou menos lucidamente.
Cada uma das Companheiras de Maria tem uma função, cada uma é um pilar, à sua maneira, esse pilar permitindo ancorar as virtudes essenciais durante este parto e este novo nascimento.
Como toda mãe, Maria, como eu, como todas as outras, portamos a Inteligência da Vida, a Inteligência criadora.
Nós também viemos cumprir as profecias, aquelas tendo existido em meio ao meu Povo, aquelas que o Grande Espírito as insuflou, particularmente aquelas de natureza feminina que transmitiram, desde ainda pouco tempo, bem após minha morte nesta densidade material, informações capitais para acompanhá-los nessa transformação.
Essas são simplesmente algumas palavras que eu desejava lhes transmitir.

***
Nós damos suporte à Maria, de maneira indefectível, em sua vinda.
O que nós conduzimos é o parto, a capacidade da Terra de se resgatar, de respirar em meio aos Mundos da Unidade onde sopra o Grande Espírito, permanentemente, o Grande Espírito que denominam a Fonte.
Nós damos apoio e acompanhamos Maria, como doze Estrelas, como doze Virtudes.
Doze virtudes que nascem também no interior de seu templo de carne, no interior de suas estruturas de personalidade e de Estado de Ser [Existência].
Esses doze pontos de Vibração que vocês aprendem a conhecer e a reconhecer e a viver.
Em meio à Coroa radiante da Cabeça, como em meio à Coroa radiante do Coração, doze flores estão em via de nascer.
Essas fores que nascem, vocês têm que aprender a conhecê-las, a reconhecê-las, a utilizá-las para se tornarem de novo, para aqueles que desejam, a Luz Pura, os Filhos e as Crianças da Lei de Um, as Crianças do Grande Espírito e reunificados, enfim, às suas origens.

***
Eu não irei mais adiante, hoje, para deixá-los se impregnar dessas palavras.
Eu voltarei também, para esta intervenção de palavras, para acompanhar a Radiância do Arcanjo Uriel, em meio a uma polaridade que eu qualificaria de maternal, no sentido o mais nobre, no sentido da filiação.
Vão para a pureza que vocês são, não mais para as sombras que acreditam, que apenas são sombras projetadas sem qualquer consistência em meio a estes Mundos da densidade de Luz.
Irmãos e Irmãs, Crianças do Céu e da Terra, Povo das Estrelas, Snow os acompanha.
Até breve.

************
Mensagem da Amada SNOW no site francês:
http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=627
29 de Maio de 2010
(Publicado em 08 de Junho de 2010)
***
Tradução para o Português: Zulma Peixinho

terça-feira, 15 de junho de 2010

Promoção especial cds Daniel Namkhay !! cds a 50% !!

Olá Queridos Amigos !! Como o Mundial de Futbol já chegou e o planeta TODO (até em Papua Nova Guinea e na Mongólia !) fica só pensando numa bola que gira..decidi fazer uma super promoção de cds pacificos, nativos... que giram tambem...com a mensagem da Paz..!!!  A promoção é só durante o mes de junho e até durar este stock !! 
 
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que caminham pela boa estrada vermelha da vida. Aguardam apenas o chamado 
de cada guerreiro que saberá honrar sua força, magia e poder.' Wakan Wood



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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dia da Terra ou Mãe Terra: qual a diferença?

Terra ou Mãe Terra: qual a diferença?

No ano passado, a Assembléia Geral das Nações Unidas acatou, por unanimidade, a proposta da Bolívia de declarar o dia 22 de abril, há 40 anos lembrado como o Dia da Terra, como o Dia Internacional da Mãe Terra. Muito além do nome, a mudança pode abranger a maneira como nos relacionamos com o planeta e com todos os outros seres que coabitam esta morada

Por Thays Prado -Planeta Sustentável - 21/04/2010

Nas mais diversas tradições indígenas ao redor do mundo, a Terra era vista como um ser vivo que proporcionava a existência aos povos da floresta e a todas as demais criaturas, era a matriz, a origem a partir da qual tudo nasce, a mãe-primeira.
As manifestações dessas culturas podem ser facilmente comprovadas, entre outras situações, no cuidado dos índios brasileiros com a Mãe Natureza, no culto dos povos andinos à deusa Pacha Mama – a mãe de toda a vida – e na famosa carta do chefe Seattle, cacique norteamericano, em resposta à proposta do presidente dos Estados Unidos, em meados do século 19, de comprar terras indígenas : “ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra” (Leia a resenha do livro A Carta do Cacique Seattle) ou http://eliane-sena-xamanismo.blogspot.com/2009/10/carta-do-chefe-indigena-seattle.html

No entanto, com o passar do tempo, mesmo tendo a própria ciência comprovado nossa interdependência com todos os seres do planeta; e ainda que se tenha disseminado a Teoria de Gaia, desenvolvida pelo cientista e ambientalista James Lovelock – que defende que a Terra se comporta como um grande organismo vivo, com mecanismos que mantêm suas condições favoráveis à existência da vida –, nos desconectamos do todo (Leia as resenhas dos livros: Gaia – Cura para um planeta doente e Gaia: Alerta Final).

A maioria de nós – ocidentais, racionais, pós-modernos, consumistas e individualistas que somos – enxerga o planeta como algo a ser explorado e, no máximo, preservado para que as futuras gerações também tenham o que explorar. Acostumados com o discurso de que tudo o que existe está aqui para servir aos seres humanos, nos colocamos acima das plantas, dos animais, da água, do solo e do ar e cultivamos uma visão pragmática e utilitarista em relação aos recursos da Terra e aos demais seres vivos. “Já dizia o livro bíblico do Gênesis que as coisas foram criadas por Deus para nosso serviço. Mas nos esquecemos de que o que nos serve não é inferior a nós e merece nossa honra, nosso cuidado e nossa profunda gratidão”, diz Lia Diskin, fundadora da organização Palas Athena e conselheira do Planeta Sustentável.

Felizmente, nos últimos anos, com o discurso da sustentabilidade cada vez mais presente, uma série de movimentos vêm propondo o retorno ao cuidado com a natureza, a valorização dos direitos humanos, a preservação das florestas e o fim dos maus tratos aos animais. A ecologia está inserida nos currículos escolares de maneira interdisciplinar e as novas gerações vêm sinalizando uma preocupação natural em relação ao desperdício de água e energia e mais consciência em relação aos seres vivos de modo geral. Ao mesmo tempo, a natureza dá sinais claros de que nosso atual estilo de vida não poderá ser sustentado por muito mais tempo.

Em meio a esse contexto que parece ganhar força, no dia 22 de abril do ano passado, a Bolívia, por meio de seu atual presidente de origem indígena, Evo Morales, propôs, em Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que a data – há 40 anos lembrada como o Dia da Terra por diversos países – fosse reconhecida pela ONU como o Dia Internacional da Mãe Terra. A sugestão foi acatada por unanimidade.
Mas, na prática, qual a diferença de darmos ao planeta o título de mãe? Para Lia Diskin, “mudar o nome de algo é reconhecer ali uma identidade diferente.
Muito além do nome, a mudança pode abranger a maneira como nos relacionamos com o planeta.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ÁBRETE CORAZÓN

Uma linda música que recebi do amigo Fabricio Azolin
Sou Grata, Eli



Ábrete corazón, ábrete sentimiento
Ábrete entendimiento, deja al lado la razón
Y deja brillar el sol, escondido en tu interior
Ábrete corazón, ábrete sentimiento
Ábrete entendimiento, deja al lado la razón
Y deja brillar el sol, escondido en tu interior
Ábrete memoria antigua
Escondida en las piedras
En las plantas, en el aire
Recuerda lo que aprendiste
Bajo agua, bajo fuego
Hace ya, ya mucho tiempo
Ya es hora ya, ya es hora
Abre la miente I recuerda
Como el espíritu cura
Como el amor sana
Y como el árbol florece
Y la vida perdura, Y la vida perdura

fonte: http://labirintosagrado.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Índio Cara Pálida

Índio cara pálida,  cara de índio.
Índio cara pálida, cara de índio.
Sua ação é válida, meu caro índio.
Sua ação é válida, válida ao índio.
Nessa terra tudo dá, terra de índio.
Nessa terra tudo dá, não para o índio.
Quando alguém puder plantar, quem sabe índio.
Quando alguém puder plantar, não é índio.


Índio quer se nomear, nome de índio.
Índio quer se nomear, duvido índio.
Isso pode demorar, te cuida índio.
Isso pode demorar, coisa de índio.

Índio sua pipoca, tá pouca índio.
Índio quer pipoca, te toca índio.
Se o índio se tocar, touca de índio.
Se o índio toca, não chove índio.
Se quer abrir a boca, pra sorrir índio.
Se quer abrir a boca, na toca índio.
A minha também tá pouca, cota de índio.
Apesar da minha roupa, também sou índio.

Índios - 19 de abril

Antes das cidades de asfalto e concreto serem erguidas, qual a vida que aqui existia?
Antes do Espanhol e do Português se tornarem os idiomas dominantes, que línguas aqui predominavam?...

– Povos Indígenas da América Latina –

Um antigo ditado indígena ensina: “Anda com mansidão sobre a terra – ela é sagrada.”

O que significa “andar com mansidão sobre a terra”?
Como proceder para senti-la sagrada?
O resgate do senso de orientação. A capacidade de acolhimento.
Um ponto de vista solidário.
A ancestral sabedoria indígena.
O cuidado com a Natureza.
E o cuidado com a Vida.
Menino da etnia Manoki aprende a tocar a flauta sagrada, durante ritual de iniciação.
Por algumas semanas, todos os meninos entre 12 e 14 anos da aldeia são reunidos para as festividades, rituais e cerimônias que marcam o rito de passagem para a idade adulta. Complexas e riquíssimas tradições – mitos e cosmovisões transmitidos através de símbolos, ritos, cânticos, danças e histórias.
Transmissão de valores regionais, comunitários e espirituais.
Os mistérios e os segredos que embelezam e banham de sentido e significado a jornada terrena.

O Sopro que no âmago do sopro reside.
O Silêncio que no coração do silêncio habita.
Mistérios...
Uma espiritualidade que, diferentemente da nossa, permeia todos os aspectos e todas as horas do dia.
O olhar amoroso e acolhedor para com a vida, em todas as suas manifestações e formas.

Menina da etnia Ache brinca com um filhote de porco-do-mato. Canindeyú, Paraguai
Diversas tribos indígenas mantêm um antigo costume de adoção de pequenos animais órfãos. Porcos-do-mato, quatis, macacos, preguiças e aves – criados como se fossem parte da família. O sagrado pulsar da Vida.
“Anda com mansidão sobre a terra –ela é sagrada.”
Todos os valores esquecidos e ignorados pelo nosso mundo “civilizado”, que necessitamos reaprender e resgatar.

Valores estes tão presentes e vivos nas culturas indígenas.
O respeito pelos mais velhos.
O cuidado para com as crianças e a infância.
Nas comunidades indígenas, todo pequeno aspecto e ato do cotidiano – sejam as pinturas corporais, os ornamentos ou as cerâmicas –transpira a espiritualidade e a identidade ancestral.

Pintura facial - Asurini do Xingu - Pará, Brasil







A anciã mexicana, da etnia Temoaya, nos dirige o olhar. A ancestral sabedoria acumulada. Os saberes e a herança étnica. O mundo que ela vê, quão diferente é do que os nossos olhos enxergam. Se sentássemos para ouvir as suas palavras, possivelmente nos diria:
“É preciso ter mais cuidado com o nosso planeta.”
“É preciso ter mais cuidado com a Vida.”
“Cuidai da infância – com mais atenção, amor e carinho.”
“Diante do atual descuido com o presente, que futuro podemos esperar?...”

A pequena índia rema suavemente. Na serenidade do seu riso, e por meio da alegria em seu olhar...ela nos recorda que, para além da nossa atribulada rotina moderna, existem outros valores, outras formas de se viver a vida. Outras alegrias, e uma nova esperança. Um outro mundo, impermeável às palavras. É preciso coração para habitá-lo. Nele, nem a vida teme a morte, nem a primavera ao outono dá lugar.


“Siga sua bem-aventurança.” Joseph Campbell

Pequenas índias da etnia Quechua - Incuyo, Peru

Pequeninos olhos da etnia Aymara - La Paz, Bolívia

Menina da etnia Pai Tavyterã - Paraguai

Menina da etnia Waorani (ou Huaorani) - Equador



E ao cuidarmos, respeitarmos e valorizarmos a cultura indígena...talvez também estejamos cuidando daquilo de mais valioso que possuímos:

A essência do nosso próprio ser. Um resgate daquilo que confere vida à nossa alma.

O Sopro, o Silêncio e a Vida.

fonte: Formatação: um_peregrino@hotmail.com

segunda-feira, 1 de março de 2010

“A Roda de Cura Xamânica”

Um momento mágico expandido pela energia de todos presentes...
O aroma suave dos incensos naturais e transformadores...
A vida celebrando e reconhecendo outros significados...
As canções preenchendo os corações...
Um Círculo de Cura foi formado em conexão com o Grande Mistério...
A energia sutil que preenche o Espaço Sagrado de cada ser...
Presentes luminosos que chegam para cada ser presente...
As canções alegrando os corações...
O toque do tambor que desperta nossa sabedoria ancestral...
As intuições e as inspirações vão chegando carinhosamente...
A cura acontece de várias formas e necessárias...
As canções encantando os corações...
O Amor Maior chega de forma magnânima e nos envolve integralmente...
A força dos elementos, a respiração profunda que nutre...
O poder da presença, a entrega total, a certeza de que Somos Todos Um...
As canções elevando os corações...
A certeza do bem, alheio à qualquer vontade...
Além do ilusório, a nossa luz interior brilha, expande...
O discernimento, o espiritual integrados na mesma dança...
As canções ascendendo os corações...
A sintonia espiritual se fortalece em um valor ainda maior...
Olhos nos olhos, cada ser transmitindo cores de cura ao outro ser...
Agradecimento por estar aqui neste exato instante...
As canções colorindo os corações... Sempre!
Permitam-se Sentir!!!
(Palavras Inspiradas após a realização de uma linda Roda de Cura).
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Segue a explicação deste trabalho que faz parte do universo xamânico.
A Roda de Cura Nativa é um trabalho xamânico sagrado e ancestral, onde através dos valores da sabedoria da espiritualidade indígena unimos nossos corações, nossos pensamentos, sentimentos e energias (PENSENE) que permeados por um amor maior ativa intensamente um processo de cura integral e natural, trazendo mais vitalidade e purificação para participante.
Quando se entra nesta sintonia, faz com que este trabalho proporcione a ativação de um processo de renovação e fortalecimento interior, procurando despertar sua força divina, para ampliar a forma que vemos essa dádiva chamada vida. Ampliar também a nossa qualidade de vida e assim, manter um equilíbrio entre corpo, mente e espírito, sempre com muito discernimento.
O som do tambor, a força da maracá (chocalho), as inspirações, o perfume da espiritualidade estarão presentes na mágica “conexão-coração”, gerando mutuamente o Espaço Sagrado de respeito, cura, paz, luz, amor e evolução e mais além.
Cada Roda de Cura Nativa que é realizada, propícia a ampliação da nossa integração e conexão com a “Mãe Terra”, com o “O Grande Mistério” e suas energias curativas naturais. Em cada encontro, em cada Roda, existe uma força natural e uma unicidade inexplicável em palavras, mas cheia de possibilidades em vivenciá-la plenamente, para isso permita-se e assim você será o seu próprio curador.
“Este é um trabalho universalista em que todas as pessoas podem participar”.
- Projeto Xamanismo e Consciência - Vitor Hugo França -
Site: www.vozdoselementos.com.br

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Introdução ao XAMANISMO, com Alexandre Meireles

Introdução ao XAMANISMO

 
O Resgate do Poder Pessoal

 
No decorrer de nosssas vidas, por forças internas ou externas, conscientes ou inconscientes, entregamos para os outros ou perdemos o nosso poder pessoal. O Xamanismo vai te levar à REdescoberta de um Universo de possibilidades totalmente novas...Você!
Quando nascemos nosso espírito traz consigo toda força, poder e dons necessários para nossa caminhada.
  •  Sincronicidade
  • Aliados de Poder
  • Quebra de padrões
  • Eliminar auto-sabotagem
  • Resgate do Poder Pessoal
 Facilitador: Alexandre Meireles 
 Data:27 e 28 de Fevereiro de 2010 
 Horário: das 09:00 às 17:00 hs 
 Local: Aldeia & Circulo das Tradições 
 Rua Madre Emilie de Villeneuve, 77 - Vila Mascote 
 
 Investimento: 3 x R$ 110,00 ou R$ 290,00 à vista 
 Material: trazer um caderno e caneta e vir com roupas confortáveis 
Inscrições pelo telefone 7106-8133, com Elide.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O teólogo Leonardo Boff fala lindamente sobre a Umbanda

"Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando- nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.
Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, "os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores".
Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas."

fonte: marcelo dalla -

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

AS MULHERES AGRICULTORAS FAMILIARES E AS PLANTAS MEDICINAIS

AS MULHERES AGRICULTORAS FAMILIARES E AS PLANTAS MEDICINAIS
APRESENTAÇÃO
Essa breve reflexão tem por finalidade resgatar a história das relações entre as mulheres e as plantas medicinais e salientar a importância da fitoterapia enquanto política pública de saúde. Com isso, queremos contribuir na luta das mulheres agricultoras familiares, reforçando a importância da mulher na história.
As mulheres que foram sábias conhecedoras das plantas medicinais, defensoras da vida, enfrentaram a força masculina, a fogueira, a condenação e o medo. Mas, hoje, de cabeças erguidas e sonhos na alma, vão trilhando a história como mães deste novo raiar. Com o resgate do saber tradicional e popular, com a organização dos Coletivos de Gênero, com políticas mais justas, a exemplo da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, será possível garantir mais qualidade de vida, renda e soberania nacional.

1. A HISTÓRIA
A Mãe-Natureza nos deu um presente: as plantas medicinais
A relação entre a humanidade e as plantas medicinais é tão antiga quanto nossa própria existência. As plantas medicinais são um presente da natureza ao ser humano. Mulheres e homens, ao surgirem na Terra, já encontraram as plantas medicinais à disposição para alimentar, proteger e curar as enfermidades.
O conhecimento sobre as plantas acompanhou a evolução do ser humano. O registro desta história é de aproximadamente 10 mil anos antes de Cristo. As primitivas civilizações perceberam, desde cedo, a existência de plantas comestíveis e de outras, não-comestíveis, dotadas de poderes que, ao serem consumidas, produziam sensações agradáveis e aliviavam as dores.
Os segredos sobre as plantas foi sendo transmitido oralmente de geração em geração. Os primeiros escritos sobre o uso das plantas data de 3000 a.C . Nesta época, foram registrados em papiros, no Egito antigo, o uso de cerca de quinhentas plantas medicinais, entre elas, menta, alecrim, camomila, absinto, babosa, tomilho e plantas da família Solanacea , usadas até nossos dias. Vale lembrar que, mesmo com todos os registros e publicações, muitos conhecimentos, ainda hoje, são transmitidos oralmente de culturas para culturas, de mães para filhas.
Mil anos a.C, no vale do Tigre e Eufrates (onde hoje estão o Irã e o Iraque), o “Estado” organiza o primeiro estudo oficial de medicina. Percebe-se que já neste período, há uma disputa sobre o domínio do saber. O conhecimento das plantas passa para o controle dos sacerdotes e dos reis. As descobertas sobre as plantas e as doenças são organizadas em forma de um Tratado. Com isso, muitas mulheres e homens do povo perdem a autoridade no exercício do uso das plantas. Aqui, podemos dizer, inicia a burocratização e a hierarquização do conhecimento.
O conhecimento, no entanto, não se aprisiona por muito tempo. Na Grécia e Roma Antiga, há uma volta do conhecimento para as mãos do povo. A medicina torna-se de domínio dos cidadãos em geral, não mais dos sacerdotes. Em 600 a.C., o governo de Atenas decreta que "todo cidadão tem direito a cuidados médicos gratuitos, pagos pelo Estado", um tipo de INSS. Essa política era custeada por um imposto real chamado "Iatricon".
Mais tarde o poder curativo das plantas medicinais é reconhecido por Hipócrates, considerado o pai da medicina . As descobertas das plantas transformam-se em estudos medicinais científicos. Foram sendo aprimorados métodos mais eficientes de coletas, armazenamentos e a extração dos sulcos das plantas. Os estudos avançaram muito neste período. Agora, as plantas deixam de ser apenas um presente da natureza a passam a ter valor de troca e mercado. Deixam de ser apenas para o combate de doenças e passam a atender outras necessidades. Como exemplo, os extratos alcoólicos que resultaram no vinho ou nos destilados (como a vodka e gim), bebidas conhecidas como dos deuses e que, por muitos séculos, somente os sacerdotes, os reis e as grandes cortes podiam se deliciar.

2. AS PLANTAS E AS MULHERES
2.1. As descobertas
As mulheres estão intimamente ligadas às plantas. Ambas, mulheres e plantas, guardam a seiva da existência, o germe da continuidade, o segredo da vida. As mulheres descobriram que as plantas serviam não só para o alimento. Perceberam que as plantas eram suas grandes aliadas na sobrevivência, na constituição do poder, na organização de seu grupo, na defesa dos mais fracos, na atração, encanto e domínio de seu parceiro.
Na Idade de Pedra, o ser humano já vivia em cavernas comunitárias e caçava para se alimentar. Enquanto os homens saíam em bando para caçar, as mulheres não ficavam sentadas ao redor do fogo aguardando o retorno dos machos, como muitos estudiosos acreditavam. Elas eram responsáveis pela alimentação básica da tribo que havia ficado na caverna. Os homens saíam à caça e não raro muitos deles não voltavam, pois eram devorados pelos animais ferozes e, muitas vezes, voltavam de mãos vazias. Então, cabia às mulheres a coleta de raízes, tubérculos e vegetais, formando a base da alimentação. Elas cuidavam dos velhos, dos doentes, das crianças, precisavam estar atentas aos predadores e outras ameaças, aprenderam a domesticar animais, pariam e ainda ajudam outras a parir.
As mulheres começaram a perceber que as sementes caídas dos frutos consumidos podiam brotar. Elas mesmas começaram a enterrar as sementes e cuidar das plantas como se fossem sua própria cria. Perceberam que podiam tirar da terra uma planta já adulta e enterrar em outro lugar sem que a mesma morresse. As mulheres foram organizando em torno de suas cavernas uma espécie de horta comunitária. Já não precisavam mais ir tão longe em busca daquelas plantas. Aos poucos foram descobrindo essa “coisa” moderna conhecida como agricultura.

2.2.As Bruxas
"Não acredito em bruxas,
mas que elas existem, disso não tenho dúvida" .

As mulheres, por constituírem e organizarem um espaço, uma rotina de observação e descobertas, aprenderam os segredos da natureza. Descobriram que as ervas são diferentes: ora amargas, azedas, doces ou ainda uma mistura delas. Aprenderam que cada planta reage diferente diante da luz, da chuva, do frio, do calor, assim como elas próprias quando estão em diferentes situações. As mulheres aprenderam a respeitar e conhecer os poderes da Mãe-Natureza, olhando, cheirando, tocando, experimentando as variações das plantas, seus frutos e suas cores.
Ligadas, assim, pela divina curiosidade de fêmea, as mulheres vão tornando-se possuidoras de uma sabedoria própria, um saber curativo, que as permite identificar as ervas, misturá-las e, na quantidade certa, beber e dar de beber a quem precisa. Desta forma, nascem as bruxas ! Mulheres sábias, que conheciam as ervas medicinais para a cura das enfermidades, também eram aptas para realizar partos e preparar as poções curativas. Estas mulheres eram dotadas de um poder espiritual, transmitidos de mãe para filha, e isso passou a incomodar o poder religioso.
Com o surgimento do cristianismo, as mulheres, sobretudo as bruxas, foram colocadas à margem. A elas coube o silêncio e a obediência às leis que lhes eram impostas. A elas coube o acato às ordens dos sacerdotes, dos reis, dos maridos e de um deus do sexo masculino.

“No final do século XV, o papa Inocêncio VIII declarou a bruxaria um pecado mortal. Em 1486, dois frades dominicanos editaram o Malleus Maleficarum, ou Caça às Bruxas, manual utilizado nos dois séculos e meio que se seguiram. Cerca de 9 milhões de pessoas, em sua maioria mulheres, foram torturadas e condenadas à morte - em fogueiras ou enforcamento. Estava aberta a temporada de caça às parteiras, as mulheres herboristas (conhecedoras de plantas medicinais), das velhas, viúvas e solteironas. Na diocese de Trier, na Alemanha, após os julgamentos de 1585, duas aldeias foram deixadas com uma única mulher em cada (...)” .

As mulheres não curvaram suas cabeças diante da forca, do fogo ou do medo. Apenas recuaram um pouco, para seguirem mais fortes. As mulheres, cada vez mais, compreendem sua ligação com a Natureza, já que elas próprias são como a natureza. As mulheres seguem acreditando na força divina que carregam dentro de si, mais sábias, mais fortes, mais bruxas.
Hoje a mulher está mais madura, mais poderosa, possui mais coragem, está mais bonita e mais preparada para acolher os ensinamentos da Mãe-Natureza, a fim de partilhar com quem for preciso, pois quando se pensa nos carentes da humanidade, são os valores femininos de proteção, compaixão que são evocados.


3. FITOTERAPIA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE
3. Plantas medicinas: a nossa maior riqueza

As plantas medicinais são um patrimônio cultural incalculável. Elas representam um recurso muito importante para nossa saúde e a continuidade de nossa espécie no Planeta. O Brasil é o país que detém a maior parcela de biodiversidade, em torno de 15 a 20% do total mundial de toda a flora planetária. Embora o nosso País possua a maior diversidade vegetal do mundo, com cerca de 60.000 espécies de vegetais superiores catalogadas, apenas 8% foram estudadas para pesquisas de compostos bioativos e 1.100 espécies foram avaliadas em suas propriedades .
Nosso país possui vantagens no desenvolvimento da fitoterapia. Aqui temos biodiversidade, abundância, conhecimento popular e tradicional do uso das plantas, tecnologia para validar cientificamente este conhecimento, empresas competentes e recursos financeiros. Temos praticamente tudo para “que nossas façanhas sirvam de modelo a toda Terra”. Falta certamente uma política voltada a esse interesse nacional.
Outra política urgente é a proteção da nossa riqueza natural: o cuidado com a manutenção da biodiversidade. Segundo especialistas da Organização Mundial da Saúde, a cada hora uma espécie de planta desaparece do planeta. É muito importante que se implementem ações concretas antes que a humanidade perca esse manancial terapêutico que a natureza nos presenteou.
O Brasil vem sendo alvo de um processo de usurpação não só do conhecimento tradicional que grupos étnicos e comunidades tradicionais possuem, mas principalmente de plantas medicinais. A apropriação de nosso patrimônio, na forma de produtos patenteados, é um desrespeito à nação, um pecado grave contra nossa soberania. Multinacionais comprometidas apenas com o lucro e o mercado da doença e, mesmo muitas empresas brasileiras, estão fazendo um verdadeiro extermínio de espécies vegetais, antes de serem investigadas química e farmacologicamente. Sabemos, por exemplo, que a Monsanto está construindo o maior centro de pesquisas de plantas do mundo, baseada no conhecimento tradicional brasileiro e em nosso patrimônio ambiental.
Diante dessa situação, para fazer frente à grande pressão extrativista sobre as plantas medicinais, o IBAMA criou em 2001 o Núcleo de Plantas Medicinais e Aromáticas - Nuplam . O Núcleo propõe conciliar pesquisa científica e conhecimento tradicional, valorizando o conhecimento e a partilha dos benefícios. Acreditamos que essa ação seja um caminho para a geração de renda, melhoria da qualidade de vida das populações extrativistas e a conservação de ecossistemas naturais. E preciso mais: vigilância, investimentos de recursos financeiros e humanos, educação, pesquisa científica voltada para o desenvolvimento de técnicas de cultivo e manejo. Essas iniciativas podem garantir a sustentabilidade econômica e ecológica do uso de plantas medicinais e aromáticas e a valorização dos conhecimentos e saberes populares.

3.2. O que é fitoterapia?
A palavra fitoterapia significa tratamento (terapia) através das plantas (phitos). É o tratamento à base de plantas medicinais. A fitoterapia é o cuidado do organismo através das plantas e ervas medicinais in natura, sem separar os princípios ativos. Podemos dizer também que a fitoterapia é a ciência que estuda a utilização dos produtos de origem vegetal com finalidade terapêutica, ou seja, para prevenir, atenuar ou curar doenças.
De acordo com a caracterização do Ministério da Saúde, “fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal, cuja abordagem incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social” .
Erroneamente, muitas pessoas chamam a fitoterapia de “terapia alternativa” ou de “medicina de pobre”. Como já referimos, essa terapia é um dos métodos mais antigos já utilizados pela medicina natural. A fitoterapia é muito mais do que o aferventar de uma erva, significa cultura milenar, sabedoria, conhecimento acumulado e partilhado de geração em geração; significa solidariedade com quem está precisando refazer as energias. É a união entre a fé, o saber popular e a pesquisa científica.


3.3. A fitoterapia e suas diferentes formas de uso popular
A fitoterapia é um método que nos permite utilizar as propriedades das plantas medicinais de diferentes formas. O importante é conhecer a planta e seus princípios ativos, isto é, saber para que serve. Reconhecer a planta medicinal como um organismo vivo, possuidora de substâncias bio-ativas, de propriedades terapêuticas e até mesmo tóxica, é fundamental antes de escolher a forma como a planta será preparada. O aproveitamento adequado das propriedades medicinais de uma planta depende, em grande parte, de seu preparo correto.
Veja as formas mais usadas no meio popular:
Chás
Infusão: consiste simplesmente em despejar a água quente (não fervida) sobre a planta, deixando a mistura tampada por cerca de 10 minutos. Ideal para flores e folhas.
Decocção: a planta é fervida por algum tempo em recipiente tampado (não em alumínio). Depois, deixa-se descansar por mais alguns minutos. Esta forma é mais apropriada para raízes, cascas e sementes, que devem ser cortadas em pequenos pedaços ou esmagadas antes de serem utilizadas.
Compressas: molha-se panos em uma decocção forte, concentrada e aplica-se na região afetada.
Maceração: a planta é colocada de molho à temperatura ambiente, na água, vinagre ou álcool, num período de algumas horas até vários dias, de acordo com a qualidade da planta.
Tinturas: é a maceração das plantas a frio, colocadas no álcool de cereais por um período de aproximadamente 10 dias. Após a mistura é filtrada, obtendo-se a tintura.
Vinhos medicinais: são obtidos pela maceração das plantas em vinho tinto ou branco, por cerca de 10 dias, depois filtrado e conservado em lugar fresco.
Tisanas: termo genérico que designa soluções, macerações, infusões e decocções.
Cataplasmas: é empregado externamente. As ervas frescas podem ser aplicadas soltas diretamente sobre a pele ou sustentadas por uma gaze. Podem também ser esmagadas até ficarem em forma de pasta, colocada entre dois panos finos e aplicada sobre o local afetado, quente, morna ou fria.
Contusão: os sumos das plantas são obtidos espremendo-se as folhas das ervas através de um tecido fino de algodão, batendo-as no liquidificador ou amassando-as num pilão. São então coadas e diluídas em água e, caso necessário, adoçadas com mel.
Saladas: as ervas também podem ser comidas cruas em forma de saladas ou preparadas junto com os alimentos, como temperos. Porém muito cuidado deve ser tomado quanto a qualidade e limpeza das ervas. Lave-as bem com água corrente e depois deixe-as de molho por algum tempo em água, sal marinho e vinagre.
Banhos: algumas plantas podem ser acrescidas à água morna da banheira e o banho deve durar cerca de 20 minutos.
Lavagens: os chás podem também ser usados para lavagens intestinais, no caso de distúrbios digestivos e vaginais, por exemplo no caso de corrimentos.
Gargarejos e Inalações: Gargarejar algumas vezes ao dia com chá preparado por decocção. Este tratamento atua sobre a cavidade bucal e garganta. Para fazer inalações, prepare um chá forte de ervas, retire-o do fogo, coloque um funil de papelão invertido sobre o recipiente, cubra a cabeça com um pano e respire o ar evaporado.

3.4. Fitoterapia: o resgate do saber popular e a promoção da saúde

O resgate do saber popular é um processo dinâmico que parte do “saber do povo” para se chegar ao “saber técnico-ciêntífico”. O conhecimento tradicional de grupos sociais que fazem uso das plantas é a fonte essencial para a descoberta dos princípios ativos - substâncias capazes de exercer uma ação de cura-responsáveis no combate de doenças.
Na medida em que as mulheres verbalizam seus conhecimentos, exercitam o seu poder. É no exercício deste poder que a auto-estima é resgatada. Neste sentido, fortalecer e empoderar pessoas é promover saúde. Assim, o uso das plantas medicinais não deve ser encarado unicamente sob o olhar terapêutico, mas tão importantes quanto este são os aspectos comunitário, pedagógico e ambiental.
As plantas medicinais são o núcleo pedagógico de educação popular para a saúde e cidadania. Com ações desenvolvidas a partir das plantas é possível estabelecer o resgate da cultura, da auto-estima e do saber popular na promoção da vida. No último período vem surgindo um movimento de “volta às raízes” - um retorno à valorização da cultura popular, com redução do endeusamento dos produtos industrializados.
Quando o Brasil foi descoberto, a fitoterapia reinava praticamente sozinha, não havia vacinas nem medicamentos sintéticos. Somente no final do século XIX, com o surgimento da aspirina, os medicamentos alopáticos conquistaram o lugar dos tratamentos com a medicina natural.
Os laboratórios desenvolveram centenas de medicações, criaram a cultura do “tomar remédio” e um mercado da doença. Com isso, a medicina alopática estabeleceu a cultura do “cientificismo”, isto é, só valia o que era científico. A sabedoria popular foi sufocada, abrindo espaços para uma medicina fragmentada, individualizada, de alto valor monetário e descomprometida com o eco-sistema.
O retorno ao uso de produtos de origem vegetal na terapêutica foi favorecido pelos graves efeitos secundários dos remédios sintéticos e também pelo maior conhecimento químico, farmacológico e clínico das drogas vegetais e dos seus produtos derivados. As novas formas de preparo e administração dos medicamentos naturais têm garantido um melhor controle de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento da fitoterapia. O interesse popular e institucional vem crescendo no sentido de fortalecer essa terapia no SUS, assim como o incentivo a pesquisas científicas de validação do uso medicinal destas espécies.
Felizmente, aos poucos, os movimentos sociais populares, a igreja (através da Pastoral da Saúde), as benzedeiras, o movimento de mulheres, as agentes de saúde, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (através dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais) e os governos democráticos e populares, estão rompendo essa hegemonia. A prática libertadora e a luta em torno dos fitotarápicos vêm possibilitando a retomada do uso das plantas medicinais por mãos de quem defende a vida e não o mercado da doença.

3.5. Políticas públicas
De todos os métodos da medicina, natural a fitoterapia é, sem dúvida, o mais antigo, o mais estudado e o que apresenta o melhor resultado. Com a evolução da ciência e o aprimoramento das pesquisas, os estudiosos buscaram a resposta para a seguinte pergunta: por que as plantas curam? A partir deste questionamento, as plantas passaram a ser estudadas do ponto de vista da composição química e não mais mística. Descobriu-se que cada planta possui princípios ativos que produzem efeitos (benéficos ou colaterais) quando introduzidos em outros seres vivos.
A fitoterapia é hoje altamente difundida no mundo todo como método natural preventivo, conservador, regenerador e curativo. O reconhecimento de seu valor como recurso clínico, farmacêutico e econômico já levou muitos países a adotar a prática como política pública de saúde . De acordo Organização Mundial de Saúde, 80% da população dos países em desenvolvimento utiliza práticas tradicionais nas unidades básicas de saúde, demonstrando sua eficácia para o tratamento de muitas doenças. No Brasil, esses índices chegam a 82%. Essas constatações são um ponto chave no desenvolvimento de hortos comunitários, de plantas medicinais e, também, um alerta para as autoridades governamentais, para que possam criar subsídios para as populações de baixa renda, garantindo-lhes medicamentos naturais e de qualidade.
No Brasil ainda estamos “engatinhando” neste método como política pública de saúde. Felizmente, já demos alguns passos. Em dezembro de 2005, o Conselho Nacional de Saúde aprovou a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é ampliar as opções terapêuticas aos usuários do SUS, com garantia de acesso às plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à fitoterapia, com segurança, eficácia e qualidade, na perspectiva da integralidade da atenção à saúde. Em junho de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou o Decreto nº 5.813, instituindo a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no Sistema Único de Saúde.
Este Decreto é apenas um exemplo de como é possível elaborar política pública a partir das plantas medicinais. Mas, o Estado (governos federal, estadual e municipal) poderia implementar outras propostas até mais simples, mas que potencializasse as iniciativas populares. Como exemplo temos as experiências dos Coletivos de Mulheres da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar – Fetraf/Sul/CUT, de Constantina/RS e os trabalhos desenvolvidos pela Pastoral da Saúde. Poderia ainda promover seminários, encontros, cursos de formação e capacitação sobre o uso correto da plantas medicinais, desde seu cultivo. Outra atividade que poderia ser desenvolvida como política pública de saúde é a criação de hortos medicinais comunitários. Essa proposta fomenta a convivência social, a partilha de saberes, a integração com outras áreas como a educação, a agricultura. A implementação de uma política pública de plantas medicinais significa a prevenção de muitas doenças, a recuperação da saúde de milhares de pessoas, a diminuição das filas de hospitais e, sobretudo, a valorização da sabedoria popular e o reconhecimento de que a vida está acima do lucro.



4. AGRICULTURA FAMILIAR E AS PLANTAS MEDICINAIS

4.1. Se produzimos alimentos para nação, podemos produzir plantas medicinais para o uso fitoterápico

A agricultura familiar é reconhecida pelo poder público como um modelo de produção há menos de uma década. Este modelo é mais do que um método de produção de alimentos: é uma forma de organização da propriedade, em que predomina a interação entre gestão e trabalho em família. É um modelo onde os agricultores familiares são sujeitos de sua história, dirigem o processo produtivo, dando ênfase à diversificação. É uma opção de vida, solidária, recheada de lutas sociais, muito trabalho e festas.
A agricultura familiar ocupa 30,5% da área total dos estabelecimentos rurais, produz 38% do Valor Bruto da Produção nacional e ocupa 77% do total de pessoas que trabalham na agricultura. Esse setor tem capacidade de absorver mão-de-obra e gerar renda. Além disso, é responsável por 67% da produção nacional de feijão, 97% do fumo, 84% da mandioca, 31% do arroz, 49% do milho, 52% do leite, 59% de suínos, 40% de aves e ovos, 25% do café, e 32% da soja .
Com esse potencial comprovado, a agricultora familiar também pode ser a responsável pela produção da matéria-prima para a elaboração de fitoterápicos no Sistema Único de Saúde. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio de suas secretarias de Agricultura Familiar e de Desenvolvimento Territorial, já vem realizando ações na área de fitoterapia e plantas medicinais por meio de parcerias com redes e organizações governamentais e não-governamentais. Os apoios vão desde a capacitação para boas práticas de manejo e cultivo de plantas medicinais até a produção do fitoterápico.
O governo Lula também tem buscado parcerias internacionais, como é o caso do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), para impulsionar o Programa Regional de Apoio à Rede de Desenvolvimento de Plantas Medicinais no Mercosul. Esse programa visa promover a redução da pobreza dos agricultores familiares, por meio da diversificação da produção e do incremento da renda, com a expansão de plantas medicinais e a transformação em medicamentos fitoterápicos.
No Paraná, também há experiências no cultivo de plantas medicinais. A Cooperativa Cercopa, que reúne 80 famílias, é um exemplo de organização de agricultores familiares que já atuam na produção de plantas medicinais. Eles produzem 25 tipos de chás naturais, como alcachofra, alecrim, arnica, guaco. E grande parte da produção tem à frente as mulheres.
Poderíamos referendar outros exemplos, no entanto, o objetivo é mostrar que a Agricultura Familiar pode ser a parceira número um dos Governos na implementação da Política Nacional de Plantas Medicinais. Neste sentido, as mulheres agricultoras familiares - com suas mãos, suas paixões e toda sua sabedoria - podem desenvolver projetos de plantio, colheita e armazenagem de plantas medicinais. A produção da matéria-prima poderá ser uma excelente alternativa de renda para a agricultura familiar, assim como hoje temos a produção do leite e do feijão, por exemplo.

4.2. As mulheres agricultoras familiares e as plantas medicinais

Apesar de constituírem metade da população, trabalhar na roça em pé de igualdade ao homem, participar da produção, dar conta da jornada de trabalho em casa, as mulheres agricultoras, ainda hoje, lutam para alcançar igualdade de gênero. A maioria das agricultoras é considerada membro não remunerado da família.
Destina-se às mulheres o trabalho dito reprodutivo, cuidar da casa e dos filhos, pequenos animais, horta. Em outras palavras, o trabalho "improdutivo", segundo a ótica capitalista, que é tudo aquilo que é feito para uso e consumo da família. Para exemplificar, poderíamos dizer que, o roçado é responsabilidade do homem, e a casa da mulher. Os produtos como feijão, milho e mandioca tornam-se mercadoria. Mas limpar a casa, cuidar da horta, dos filhos não tem o mesmo valor.
É preciso lançar olhares sobre a realidade a fim de dar mais um passo em direção a igualdade de gênero e da justiça social. Neste sentido, as formações coletivas buscam quebrar as representações tradicionais da imagem da mulher no campo. Os Coletivos de Gênero da Fetraf, a organização sindical, as lutas, os trabalhos pastorais, a fé, o conhecimento e relação harmoniosa com a natureza – tudo é fundamental na luta pelo rompimento do “lugar secundário” que a história reservou às mulheres.
O crescimento do cultivo e da utilização das plantas medicinais, uma tendência mundial, pode ser uma importante fonte de renda e contribuir no desenvolvimento sustentável. Nesta caminhada, as mulheres agricultoras podem elaborar um grande projeto coletivo: a produção de plantas medicinais para a implementação da fitoterapia no SUS. Vamos retomar o velho saber, os segredos que a Mãe-Natureza nos passou e dar um salto de qualidade em nossa história.
O papel da mulher na agricultura familiar esta mudando a concepção de política pública nos Governos. Assim, é possível buscar recursos para está iniciativa, bem como exigir que o poder público garanta que o conhecimento tradicional/popular sobre plantas medicinais, sua manipulação e uso, possam ser resgatados, protegidos e respeitados como prática de saúde.


CONCLUSÃO
As plantas medicinais sempre estiveram intimamante ligadas às mulheres, a gricultura de subsístência e a disputa de poder/saber. Agora, é necessário dar continuidade às medidas voltadas à melhoria da atenção à saúde, ao fortalecimento da agricultura familiar, à geração de emprego e renda, à inclusão social e igualdade de gênero. Neste sentido, a implementação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas pode ser um caminho para a geração de emprego e renda, fortalecimento e empoderamento das mulheres agricultoras, bem como para o resgate do saber popular.
A agricultura familiar (que representa um modo de vida e assegura a preservação e desenvolvimento das culturas locais, que mantém uma relação harmonizada com o meio-ambiente, que aposta no desenvolvimento sustentável e na biodiversidade, que produz a maior parte dos alimentos consumidos pela população brasileira) pode ser a grande aliada do Estado na produção e armazenagem de plantas medicinais para o uso fitoterápico. Para tando, as mulheres que possuem uma histórica ligação com as plantas medicinais serão as principais protagonistas desta empreitada.
Com a força das mulheres agricultoras familiares, a organização dos Coletivos de Gênero, a fé, a sensibilidade e sabedoria, teremos a possibilidade histórica de conquistar um Brasil sustentável, um modelo de saúde baseada em métodos naturais, melhores condições de viva para os filhos e uma geração mais saudável e feliz.

Celica Vebber
Jornalistae e ducadora popular em saúde
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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COSTA Lúcia Cortes. Gênero: Uma questão Feminina? http://www.uepg.br/nupes/Genero.htm

DI STASI, L.C.(Org) Plantas Medicinais: Arte e Ciência, um guia para uma pesquisa interdisciplinar. Fundação Editora Unesp, São Paulo, SP, 1996.

PAVAN, Ivar. Políticas Públicas de Saúde. Um jeito Cidadão. Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2000.

SPETHMANN, Carlos Nacimento. Medicina Alternativa de A a Z. Editora Natureza, 7ª edição, MG, 2004,

Sítios

Governo Federal – Ministério da Saúde
http://www.portal.saude.gov.br
Contém notícias, informações sobre saúde, projetos e programas e informações sobre o Ministério da Saúde.

ABC da Sáude
http://www.abcdasaude.com.br
Informação, divulgação e educação sobre temas de saúde com mais de 600 artigos escritos exclusivamente por especialistas.

Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher
http://www.caism.unicamp.br
É uma unidade de ensino, pesquisa e assistência inserida no complexo de saúde da Universidade Estadual de Campinas.

Natura Link
http://www.naturalink.com.br
É um elo com a Natureza. É a união de pessoas amigas que a preservam, protegem e gostam de viver em harmonia. Informações sobre saúde, natureza, ecoturismo, etc.

Planeta Natural
http://www.planetanatural.com.br
Saúde, notícias, doenças, prevenção. Aqui você encontra informações sobre diversas terapias alternativas complementares.

S.O.S. Saúde Alternativa
http://www.sossaudealternativa.com.br
Informações sobre saúde alternativa.

Saúde
http://www.saude.com.br
Informações sobre saúde, qualidade de vida, meio ambiente e cidadania. Dados sobre doenças, por ordem alfabética.

Saúde em Movimento
http://www.saudeemmovimento.com.br
Muitas informações que facilitam e melhoram sua vida.

http://www.taps.org.br
A TAPS é um centro de estudos que mantém uma biblioteca e este website abrangendo diversas áreas relacionadas com a saúde.

Vida Integral
http://www.vidaintegral.com.br
Informações sobre medicina complementar, alimentação, cozinha natural, qualidade de vida, vida moderna. Ótimos artigos.

Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Fetraf-Sul/CUT
http://www.fetrafsul.org.br

Agência de Notícias sobre Meio Ambente
http://www.jornaldomeioambiente.com.br

Ambiente Brasil
http://www.ambientebrasil.com.br
Portal de informações sobre o meio ambiente

Centro Feminista de Estudos e Assessoria
http://www.cfemea.org.br

Comunicação, Educação e Informação em Gênero
http://www.cemina.org.br

Grupo de Defesa Ecológica
http://www.grude.org.br

http://www.redemulher.org.br/luta.htm - Luta pelos Direitos das Mulheres
http://www.cnmp.org.br - Centro Nordestino de Medicina Popular (CNMP).
www.ibama.gov.br/flora/plantas_medicinais.htm
http://www.comciencia.br /Revista eletrônica de Jornalismo Científico

http://www.nead.org.br / Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural